Greve parcial de ônibus afeta a rotina e usuários enfrentam dificuldades para circular em São Luís

Escrito em 13/03/2026


Greve de rodoviários começa após falta de repasse do reajuste Sem os ônibus do sistema urbano de São Luís circulando desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (13), milhares de usuários do transporte público buscam alternativas para chegar aos seus compromissos e enfrentam as consequências de mais um impasse sem previsão de resolução. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que São Luís enfrenta uma greve de ônibus. O movimento, que afeta somente o sistema urbano, foi causado devido ao atraso no pagamento do reajuste salarial, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema). A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), afirmou que tem mantido em dia os repasses de subsídios às empresas, sem atrasos ou descontos. Mesmo assim, as empresas não teriam garantido os direitos determinados pela Justiça aos trabalhadores. O sistema semiurbano, que atende os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, está operando, mas sem entrar nos Terminais de Integração, como já ocorreu em outras paralisações. “É complicado demais, não está tendo ônibus e a gente precisa ir para o serviço. É muito complicado. Toda vez que tem essa greve é desse jeito essa situação, nós que pagamos por isso”, disse o comerciário Jackson Conceição. Usuários do transporte público de São Luís buscam outras alternativas para chegar aos seus compromissos em meio a greve parcial Reprodução/TV Mirante Sem o serviço, muitos trabalhadores, estudantes e demais usuários do transporte precisaram recorrer aos ônibus do sistema semiurbano e a aplicativos de transporte alternativo, que passaram a rodar com tarifas mais altas. “Já estamos cientes desde ontem que iríamos iniciar o dia sem transporte coletivo em São Luís. Então a gente está meio que de sobreaviso”, disse Edinária Fernandes, técnica em edificações. Em muitos casos, sem opções, a população precisou abrir mão dos compromissos do dia a dia devido à falta de transporte público. “Eu ia deixar ela na escola, mas quando eu vi, é isso aqui. É um descaso com a população que precisa trabalhar, precisa estudar, é complicado demais”, reclamou a estudante Ryara Alves. Greve parcial deixa São Luís sem ônibus A nova paralisação deflagrada nesta sexta-feira (13) ocorre em meio a sequência de problemas enfrentados pelo transporte coletivo de São Luís. Desta vez, os rodoviários alegam que há atraso no pagamento do reajuste salarial. Nos últimos meses, a população tem convivido com ameaça de paralisações e redução da frota. Apesar do avanço na discussão, envolvendo o sistema semiurbano, o impasse ainda continua com o sistema urbano já que até o momento, não há nenhuma sinalização do fim do passe. Segundo Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), nenhum rodoviário recebeu salário com aumento acordado na última paralisação e determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho. Terminal de Integração da Cohama amanheceu vazio em meio à greve Reprodução/TV Mirante Conforme apuração da TV Mirante, somente em uma das empresas do sistema, cerca de 300 funcionários não trabalharam. As garagens amanheceram com ônibus parados, sem que nenhum coletivo deixasse o pátio. Na porta de uma das empresas, uma placa informava a contratação de motoristas, mas rodoviários afirmam que o problema central é o não pagamento do reajuste salarial, o que impede a normalização das atividades. De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís. Prefeitura libera vouchers A Prefeitura de São Luís alega que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público e tem feito os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso. Entretanto, para reduzir os impactos da greve, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários do sistema de transporte público, enquanto o serviço estiver comprometido. Segundo a Prefeitura, os vouchers já foram disponibilizados para os usuários já cadastrados no sistema feito pela prefeitura anteriormente. Além disso, o Município de São Luís informou que ingressou na quinta-feira (12), com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo, como determina a legislação aplicada aos serviços essenciais. Greve parcial deixa São Luís sem ônibus do sistema urbano após atraso no pagamento dos rodoviários Ádria Rodrigues/TV Mirante O que dizem a Prefeitura de São Luís e o SET Nota da Prefeitura de São Luís A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve registrada nas primeiras horas desta sexta-feira (13) no sistema de transporte urbano de São Luís decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários. Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema urbano de transporte público. A SMTT esclarece que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público, com os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso. Diante disso, causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a implementação do reajuste e benefícios assegurados aos trabalhadores rodoviários. A SMTT segue acompanhando a situação de forma permanente e adotando todas as medidas necessárias para assegurar o restabelecimento do serviço e resguardar os direitos dos usuários do transporte público de São Luís. Nota do SET O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), vem, a público, esclarecer as declarações feitas pelo atual Prefeito de São Luís, Eduardo Braide, na manhã desta sexta-feira, dia 13, em rede social: SUBSÍDIO: O subsídio pago atualmente pela Prefeitura de São Luís ainda é o mesmo de Janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores rodoviários, e aumento em todos os outros custos do serviço. FALTA DE ACORDO: Na Justiça do Trabalho não houve acordo, pois, a SMTT nem sequer compareceu. AUMENTO DO DIESEL: O preço do diesel aumentou R$ 1,40 o litro só na última semana. A medida do presidente Lula resultará numa redução de apenas R$0,30. GREVES As diversas greves, que ocorrem desde 2021, são resultado do reiterado descumprimento do contrato por parte do Município de São Luis, fato confessado em vídeo pelo próprio Prefeito, que, ao congelar o subsídio desde janeiro de 2024, colocou o sistema em colapso. O SET está cooperando com os Órgãos de Justiça e Controle na apuração dos verdadeiros motivos e responsáveis pela crise do setor. Por fim, o SET afirma que tem buscado o diálogo, tendo protocolado diversos pedidos de reunião junto à SMTT desde o início de 2025, e mantém a disposição na busca do diálogo técnico sobre o transporte de nossa cidade. MP-MA abre inquérito para investigar falhas no transporte coletivo de São Luís A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão conduz um inquérito civil que apura falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema de transporte da capital. Os focos da investigação incluem o Município de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda. Como providências iniciais, o MPMA solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e ao SET uma série de documentos, incluindo: informações sobre todas as linhas do sistema; itinerários, consórcios, concessionárias e frotas; planilhas de custos do transporte; valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026; número de novos ônibus incorporados ao sistema no mesmo período; e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas na prestação do serviço. Última paralisação do sistema urbano durou 8 dias Após oito dias de paralisação, os ônibus que integram a frota do transporte urbano voltaram a circular após reunião com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), empresários e a Prefeitura de São Luís, sob a garantia do pagamento dos salários atrasados. ➡️ O acordo realizado no dia 6 de janeiro determinou que os salários atrasados dos trabalhadores do sistema urbano serão pagos integralmente até até o dia 10 deste mês. Nos últimos seis anos, a capital enfrentou ao menos dez paralisações no sistema, provocadas principalmente por impasses salariais e disputas entre empresas e rodoviários. Em 2022, a cidade registrou a maior greve do período, que se estendeu por 43 dias.
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