PF aponta que Instituto de Previdência do Amapá rejeitou 'bancos de primeira linha' e preferiu o Master, apesar de alertas

Escrito em 10/02/2026

CVM analisa operações do Banco Master e entidades ligadas ao grupo após liquidação pelo BC Documentos da investigação da Polícia Federal sobre os aportes do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master indicam que as operações foram realizadas ignorando riscos e alertas. A Polícia Federal apontou que os dirigentes que estão sob investigação tinham papéis específicos para que isso se concretizasse. “A análise detida dos relatórios de inteligência policial e o cotejo analítico das provas documentais revelam uma dinâmica delitiva estruturada e sequencial, na qual cada investigado teria desempenhado função específica para viabilizar o aporte temerário de quatrocentos milhões de reais em ativos do Banco Master, em um interregno inferior a vinte dias”, diz o documento. As informações foram publicadas pela colunista do Globo, Malu Gaspar. O blog também teve acesso aos documentos. A PF afirma que o conselheiro da Amprev José Milton Afonso Gonçalves é “o mentor intelectual e principal articulador das operações no âmbito do Comitê de Investimentos”. “A investigação destaca que, deliberadamente, o investigado omitiu a apresentação de comparativos de risco de crédito, rejeitando ofertas de bancos de primeira linha como Santander, BTG Pactual e Safra, sob o argumento isolado de que a taxa de retorno do Banco Master seria superior, conduta que repetiu invariavelmente nas reuniões subsequentes de 19 e 30 de julho, demonstrando dolo intenso no direcionamento dos recursos.” O presidente do instituto também é citado pela PF como alguém que sabia dos riscos, mas ignorou. Jocildo Silva Lemos foi alvo de buscas da PF. “A investigação demonstra que Jocildo atuou como o garante institucional da operação, utilizando sua posição hierárquica para neutralizar as resistências internas da área técnica.” A PF diz que ele sabia que a Caixa Econômica Federal tinha se recusado a comprar os mesmos ativos do Master e ignorou esse risco. “A materialidade colhida nos autos comprova que o investigado tinha plena ciência de que a Caixa Econômica Federal havia recusado a aquisição dos mesmos ativos devido ao alto risco, todavia, optou por ignorar tal sinal de mercado. Mais grave ainda, a autoridade policial descreve que Jocildo validou uma suposta visita técnica ao Banco Master, realizada às vésperas do terceiro aporte, como um ato de mera formalidade para conferir aparência de legalidade à gestão temerária, sem produzir qualquer auditoria real.” As investigações apontam indícios de crime que, segundo o juiz do caso, Jucélio Fleury Neto, da 4a vara da Justiça Federal do Amapá, "atinge frontalmente o interesse do Estado (gestão temerária de fundos previdenciários da AMPREV que gera prejuízo irreparável ao erário)".
.